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O-Sensei

O-Sensei
Morihei Ueshiba
(1883-1969)
Fundador do Aikido

 
   ENTREVISTA  

 

ENTREVISTA
com
Mitsugi Saotome Shihan
por Stanley Pranin
PARTE 1

 

Originalmente publicado por
Aiki News #89 (Outono 1991)

 

Traduzido por Christiaan Oyens

 

 

Saotome Sensei

 

 

Esta entrevista foi preparada graças à ajuda de Jim Sorrentino dos Estados Unidos, país onde Mitsugi Saotome Shihan é muito conhecido como o fundador do Aikido Schools of Ueshiba (Escolas de Aikido de Ueshiba). Nesta primeira metade de uma entrevista de duas partes, Saotome Shihan recorda seus quinze anos como uchideshi no Hombu Dojo, relata suas impressões sobre O-Sensei e discute sua abordagem para o treinamento com armas. 

 

 

Aiki News: Poderia nos contar um pouco sobre o seu background em Aikido?

 

Saotome Sensei: Eu pratiquei Judo quando estudava na escola secundária. Fui enviado ao Kuwamori Dojo com uma carta de apresentação do meu professor de Judo porque ele achava que o Aikido seria bom para mim. Foi assim que fui introduzido ao Aikido. Quem estava dando aula naquele momento era o Seigo Yamaguchi Sensei. Eu era maior do que sou agora e pesava uns 90 quilos. Eu estava acostumado a ganhar competições de Judo em Tókio. Após a aula, Yamaguchi Sensei mandou que eu agarrasse seus dedos. No instante que eu os agarrei ele me arremessou. Não entendi como aconteceu e pensei que tivesse tropeçado em algum dos tatames. Pedi então que ele fizesse isso de novo. Acho que fui arremessado umas quatro ou cinco vezes. Ele me arremessou com seus dedos e também quando agarrei os seus ombros. Foi assim que fui iniciado nesta arte. Depois da aula conversei com o Yamaguchi Sensei e com o Kuwamori Sensei não só sobre artes marciais, mas também sobre vários assuntos como a filosofia oriental. Fiquei muito feliz com isso, pois estava ansioso para discutir estes temas. Ainda respeito Kuwamori Sensei e fiquei muito impressionado com o Yamaguchi Sensei. Então entrei no dojo enquanto seguia a minha prática do Judo.

 

Isto ocorreu após o retorno de Yamaguchi Sensei de Burma?


Não, isto foi antes de sua ida. O Kuwamori Dojo foi o primeiro dojo sucursal Aikikai após a guerra. Naquela época, o Doshu de Aikido Kisshomaru Ueshiba visitava o nosso dojo, nós o chamávamos então de “Wakasensei”. Pensei que ele seria um típico adepto das artes marciais, mas ele na realidade parecia um professor de universidade e era muito cortês ao falar. Ele me impressionou com os seus modos de cavalheiro. Fiquei surpreso com as suas mãos fortes e grossas. Ele era muito diferente dos professores de Judo. Falei com ele sobre vários assuntos e vim a apreciar o Aikido mais ainda.

 

Naqueles dias o Wakasensei ainda trabalhava na Companhia de Seguros Osaka. Eu treino Aikido desde aquele tempo. Shoji Nishio também estava presente. E Nobuyoshi Tamura tinha começado três meses antes de mim. Isto aconteceu há uns 37 anos [ca. 1954]. Desejava me tornar um uchideshi, mas isto só foi acontecer em 1961. Naqueles dias Tamura também trabalhava fora, mesmo sendo um uchideshi. Não era como hoje em dia que o dojo paga salários para seus professores jovens.

 

Quando conheci O-Sensei pela primeira vez eu cursava a escola secundária. Eu pratiquei no antigo Hombu Dojo. O dojo não era sujo, mas os tatames estavam bastante desgastados. O-Sensei, com sua barba branca, estava batendo papo com seus alunos. Não tinha a menor idéia naquele momento de quem era O-Sensei. O-Sensei falou comigo primeiro me dando as boas vindas enquanto as pessoas em sua volta aparentavam muita tensão. Fiquei bastante perplexo e senti um frio na espinha. Não sei se você pode chamar isto de um despertar espiritual, mas eu estava em estado de choque. Naqueles tempos eu pessoalmente visitava professores de diversas artes marciais, não só de Judo, mas todos eram muito diferentes de O-Sensei. O-Sensei tinha sessenta e poucos anos e era muito nobre. Foi uma oportunidade incrível para mim conhece-lo naquele momento. Ele me impressionou profundamente e me fez sentir que poderia abandonar tudo para ficar sob sua tutela.

 

Era o Wakasensei quem ministrava o maior número de aulas naquela época?

 

Wakasensei ensinava a aula matinal e depois seguia para o seu trabalho. Yamaguchi Sensei era quem dava o maior número de aulas.

 

Naquela época já existiam as aulas de manhã e à noite?

 

Exatamente. Mas não havia tantas aulas no começo. O número de aulas cresceu gradativamente. Naqueles dias eu participava da aula das 8:00 às 9:00 que geralmente era dada por O-Sensei. Se apareciam dez alunos, o presente Doshu comentava como a aula estava cheia. Ele era jovem ainda. Me lembro que praticávamos kakarigeiko (treino contra ataques contínuos) como o Doshu. Hoje em dia o Aikido é conhecido, mas naquela época muita gente perguntava o que era o Aikido até mesmo em Tókio.

 

Quando eu era um uchideshi, O-Sensei me repreendia como muito mais freqüência do que aos outros. Eu fui um uchideshi durante mais de 15 anos e foi provavelmente por isso que ele achava mais fácil me repreender. Eu fazia o tipo desajeitado, enquanto que os outros uchideshi eram muito mais rápidos para aprender. Fui o último a permanecer como uchideshi. Em minha opinião, enquanto O-Sensei viveu a arte mudava ano após ano e estava sempre evoluindo. Eu queria observar como O-Sensei se desenvolvia. Foi por isso que fui o uchideshi que mais tempo ficou! [risos]

 

Aprendeu espada com O-Sensei?

 

Nos velhos tempos os shihan se revezavam ensinando aos domingos. Acho que O-Sensei ficou entediado um dia e disse, olhando no escritório, “Quem está aí, Saotome?” Ele me disse para trancar a porta e fechar as janelas, e eu fiquei imaginando ele estava pensando. Aí, ele me mandou pegar um bokken. “Este é um kata de espada para o uso numa luta de verdade,” ele disse e me mostrou. A sua maneira de pensar era bem antiquada. Ele tinha me mandado fechar as janelas para que ninguém lhe visse. “Você jamais se tornará um mestre,” ele disse [risos]. Eu não entendia nada. Aquele kata era um pouco diferente dos kumitachi. Ele me mostrou o kata rapidamente num espaço de 5 minutos.

 

Anos atrás, quando assisti o senhor treinar, Sensei, percebi que o senhor estava usando o que acredito que era a espada de bambu da Yagu-ryu. Ainda a usa nos seus treinos?

 

Todos os meus alunos usam. A razão pela qual uso a espada de bambu da Yagu-ryu é porque se usamos o bokken para aprender os básicos da espada e os kata, podemos machucar nossos dedos e por isso ficar com medo. Se formos golpeados por um bokken vamos nos machucar. Portanto, evitamos nos golpear. Já, se usarmos uma espada de bambu nos sentimos muito mais seguros, porque ao receber algum golpe não iremos nos machucar. Mesmo que venhamos a sentir alguma dor, não iremos quebrar nenhum osso. Então, iremos adquirir um grau de destreza com muita rapidez. Se usarmos um bokken, com certeza iremos ficar tensos. Se usarmos uma espada de bambu, podemos relaxar e praticar sem medo. Mais tarde podemos usar o bokken. Assim os alunos podem dominar o ken e os kumitachi. Porém, se treinarmos sem a menor chance de lesões, o treino poderá se tornar muito casual. Temos que ter o maior cuidado ao segurar a espada para evitar lesões. De alguma maneira não somos capazes de desenvolver o verdadeiro sentimento do kumitachi. Acaba se tornando um mero kata. Você não é capaz de harmonizar o seu ki de nenhuma maneira. Portanto, peço para os meus alunos usarem o bokken depois de terem algum domínio da espada. É uma maneira de se treinar passo a passo.

 

Morihiro Saito Sensei, por exemplo, organizou os movimentos de jo e ken que ele aprendeu com O-Sensei. Como são os kumitachi que o senhor desenvolveu para as “Aikido Schools of Ueshiba” (Escolas de Aikido de Ueshiba)?

 

A maneira de O-Sensei ensinar variava de acordo com a situação. As pessoas que foram ensinadas por O-Sensei executam o jo e o ken de formas diferentes. Como a espada de O-Sensei era a espada de Aikido, fica difícil de compreender. Você tinha que acompanha-lo de perto. Era necessário que você sistematizasse seus ensinamentos. Quando assisti a demonstração de ken e jo de Morihiro Saito Sensei no FriendshipDemonstration, pensei, “Sim, O-Sensei ensinou isto também”. Mas de alguma forma era diferente. Saito Sensei organizou bem o que lhe foi ensinado. Meu método de espada e a forma de executar os kumitachi também são diferentes. Isto acontece porque as nossas experiências são diferentes.

 

Isto é algo que foi elucidado por Shoji Nishio Sensei. Naquela época a ênfase dos ensinamentos no Hombu Dojo era baseada nos treinos de taijutsu (sem armas), mas o ken e o jo também eram considerados importantes. Porém, não havia ninguém no Hombu Dojo que ensinava ken e jo naquela época.


Naquele tempo O-Sensei ensinava [ken e jo] durante seus seminários. Ele mostrava os básicos. Não sei se é elegante dizer isto, mas os praticantes de fora que vinham treinar no dojo eram considerados convidados. Os alunos eram os uchideshi que serviam O-Sensei. Como aqueles que vinham de fora eram considerados convidados nós cuidávamos deles. Os convidados não eram repreendidos mesmo que fizessem os mesmos erros que nós fazíamos. Se eu fizesse o mesmo erro sofria sérias conseqüências.

 

Presentemente estou lecionando na América, mas nunca ensinei meus alunos dizendo-lhes que eles não entendem. Não sei como se treina hoje no Hombu Dojo, mas exijo que os meus alunos façam mais do que é requerido nos treinos no Japão. Ensino eles a usarem outras coisas além do jo e o ken. Nós usamos também as nossas armas além do que aprendemos com O-Sensei. Por exemplo, usamos coisas como bastões. Estas coisas são uma parte do Aikido. O ponto importante nisso tudo é que a nossa maneira de usar o ken e jo é um método de treinamento no Aikido. Não somoskendoka, ou praticantes de jo. São apenas usados como modo de treinamento. Eu sempre estou lembrando os meus alunos que não deve haver nenhum mal entendido a respeito deste ponto.

 

 

Saotome Sensei

 

 

Praticantes das artes marciais tradicionais, Kendo e Iaido muitas vezes criticaram os métodos de ken e jo de O-Sensei. Sua abordagem com a espada era um pouco diferente. Creio que a maneira particular de usar o quadril e a base adotada pelo fundador para evitar o aiuchi (golpe mutuo resultando em ferimento grave ou morte nos oponentes) não existe no Iaido ou Kendo.

 

Sim, existem essas pessoas no círculo de artes marciais tradicionais. Elas também se encontram em alguns praticantes de Yagyu-ryu. Irimi é uma das melhores formas de se evitar o aiuchi. Você entra e conduz a espada de seu oponente. Isto é algo que O-Sensei dizia com freqüência: “Estenda contra a espada estendida!” Ele dizia que o ataque do oponente irá lhe mostrar o caminho a seguir. Isto é irimi num sentido espiritual. Até o aiuchi acaba sendo um tipo de irimi. É um tipo de prece. “Entrando você vence o espírito de seu oponente,” dizia O-Sensei. Então não se trata de uma luta de espadas. Você se conecta naturalmente com a espada de seu oponente. Neste respeito, a maneira de pensar de O-Sensei era puramente cientifica. Ele falava com freqüência sobre os kamisama (divindades) e de assuntos espirituais, mas sua maneira de pensar era também racional e cientifica. Acho natural que praticantes de artes marciais tradicionais critiquem O-Sensei já que sua técnica de espada era diferente. Isto é porque O-Sensei desenvolveu seu próprio método de espada. O-Sensei tinha um menkyo kaiden (certificado avançado de proficiência) em várias artes marciais e tirou a essência delas para criar sua técnica de espada. É completamente sem sentido pensar que o ken de O-Sensei é diferente de outras artes marciais. O que O-Sensei fez foi construir uma base e criar algo novo. É possível criticar o passado, mas o passado não pode criticar o futuro. É uma outra dimensão. Mesmo que alguém diga que a espada de O-Sensei é diferente da espada das artes tradicionais, o fato é que ele não estava tentando praticar uma arte tradicional.

 

Historicamente existia uma relação entre a espada e técnicas sem armas. Eram praticadas juntas, mas pouco a pouco especialistas apareceram e as disciplinas acabaram sendo separadas. Você tinha que saber usar a lança e a espada, executar técnicas sem armas e tinha que ter habilidade como cavaleiro, já que todas estas artes estavam combinadas. A espada tinha que estar associada às técnicas sem armas. Aprender técnicas sem armas implicava em aprender as técnicas com a espada. É por esta razão que o Kendo, Karatê-do e Judo não existiam antigamente.    

 

Imagino que existam aspectos que dificultam ensinar o Aikido nos Estados Unidos.

 

Não uso terminologia Shinto como O-Sensei fazia. Porém, a ciência é uma linguagem universal e é algo que pode ser usado para convencer qualquer pessoa. Se palavras altamente especializadas como “kannagara” (o caminho dos Deuses, Xintoísmo) forem usadas, não serão entendidas por todos. Eu tenho evitado esses termos.

 

Para mim é difícil dizer de forma clara que você precisa estudar se quiser aprender sobre o Japão. Afinal, eu preciso fazer com que os meus alunos entendam. Já que existem muitas pessoas que desejam entender, eu preciso fazer um esforço neste sentido. Acho necessário que seja feitos grandes esforços para introduzir a cultura japonesa para as pessoas mundo afora. Os estrangeiros não entendem sobre o Japão. Por outro lado, não podemos afirmar que os japoneses compreendam o Japão. Os japoneses são estrangeiros em seu próprio país. Só porque você mora e fala japonês não quer dizer que você compreenda as verdadeiras raízes desta nação. Acho que existem muitas pessoas assim. Por exemplo, os japoneses que viajam para o exterior não entendem tudo sobre o Japão, mesmo que eles achem que sim. Não conhecem a cerimônia do chá. Não conhecem a arte do arco e flecha. Existem muitos japoneses assim.

 

Uns sete anos atrás quando entrevistávamos um shihan de Aikido, ele disse, “Mesmo que um estrangeiro venha treinar no Japão, ele não entenderá o verdadeiro significado do Aikido. Em decorrência das diferenças de língua e culturais, os estrangeiros não têm acesso ao significado espiritual da arte” Quando ele foi questionado sobre isto, a nossa conclusão foi que era difícil até para os japoneses entenderem isto.

 

É verdade. Mesmo que eu pratique a mais de dez anos, ainda não cheguei ao ponto de entender isto. Atualmente estou começando a entender coisas que O-Sensei me disse há muitos anos. É relativo à extensão do que alguém possa entender. Sinto-me da mesma forma que você. Conheço um professor que viajou para o exterior e disse, “Aikido é a essência da cultura japonesa, portanto os estrangeiros não podem entendê-lo.” Eu não gosto da palavra “estrangeiro” de qualquer maneira, mas fiquei pensando no que ele quis dizer com isto. Por que razão ele viajou para o exterior para ensinar o Aikido? O que pode se dizer de alguém que ensina Aikido para pessoas que não irão entender esta arte por muitos anos? Seria melhor ele retornar ao Japão. Acho vergonhoso dizer algo assim. Se você não pode fazer nada para ajudar os seus alunos a entenderem significa que você é que é incompetente. É uma forma de transferir a responsabilidade para o outro. Você está passando para os seus alunos a responsabilidade pelo seu fracasso. Claro que existem alunos que não entendem, mas até no Japão existem alunos que estudam durante anos e não entendem. O que ele pensaria se alguém dissesse que os japoneses não entendem Beethoven? Pergunto-me porque a dificuldade em entender algo teria que ser diferente com as artes tradicionais japonesas.

 

Sob o meu ponto de vista o Aikido não é uma arte marcial tradicional. É uma nova arte marcial. Acho que a abordagem de O-Sensei foi revolucionária.


Sim, seu conceito era esplêndido. É a idéia mais revolucionária desde o início das artes marciais. Em bujutsu é considerado aceitável derrotar um oponente para nos protegermos, mas acredito que bujutsu e budo sejam diferentes. O que as pessoas normalmente discutem não é o budo, e sim o bujutsu. Em bujutsu seria suficiente explicar como funcionam as técnicas. Como você certamente já deve ter reparado, no início do seu treinamento em budo era difícil entender a parte teórica. Como você não entendia o conceito de budo, seu corpo não se movia de forma adequada. Por que devemos nos harmonizar com o nosso parceiro em budo e executar o tenkan? Originalmente não existia nenhuma forma de entender o conceito de budo usando apenas as técnicas sem armas. Alguns professores que praticavam outros tipos de budo durante anos entendiam. Porém, alunos de Aikido praticam técnicas que contem a essência da arte desde o inicio. Tenkan, além de ser uma técnica é também uma filosofia.

 

Pode se encontrar esta maneira de pensar na historia da religião? Por exemplo, existem pontos em comum entre o pensamento Cristão e o Aikido? A idéia de se proteger sem derrotar um oponente, por exemplo.


Acho que de certa maneira você pode encontrar esta forma de pensar no Shinto, como parte de suas raízes espirituais. Levaria muito tempo para explicar isto, mas a idéia de prosperidade mútua existe. O budo de O-Sensei não originou do bujutsu. Ele estudou vários bujutsu, mas no fim das contas, ele desenvolveu uma disciplina de técnicas sem armas sob um ponto de vista espiritual. Claro que ele aprendeu formas antigas, mas o desenvolvimento do Aikido foi provocado pela influencia de kannagara no michi. Isto não é Shintoismo; é o Caminho dos Deuses. Este espírito é expresso por via das técnicas. Então, isto é religião e ao mesmo tempo, não é religião. Parece que estou brincando com palavras, mas é assim mesmo. O-Sensei dizia, “Aikido não é religião, mas é exatamente igual a uma religião. Aikido é a bíblia que estou transmitindo para a posteridade.” O-Sensei dava a maior ênfase em respiração, como também nas técnicas ikkyo, irimi e tankan. Ele também dava grande importância no conceito de “musubi” (ato de se ‘colar’ no parceiro).

 

Treinar a respiração é tanto um ato de treinamento físico, como uma forma de treinamento mental e filosófico. Não é algo para se pensar com a mente, e sim para ser vivenciado com o corpo. O-Sensei foi um gênio que entre tantas coisas, concebeu este tipo de sistema educacional. Ao ensinar os outros, você também se educa. Não só praticamos externamente, como de maneira interna também.


[Continua]

 

Perfil de Mitsugi Saotome


Nascido em 1937. Shihan do Aikikai. Começou o Aikido ca. 1954 na filial Kuwamori Dojo e entrou para o Hombu Dojo como uchideshi em 1961. Chegou aos Estados Unidos em 1975 e subsequentemente estabeleceu as Escolas de Aikido de Ueshiba, uma organização independente que desde 1988, foi reconhecida pelo Aikikai Hombu. Autor de dois livros sobre o Aikido, Aikido e a Harmonia da Natureza e Os princípios do Aikido. Viaja extensivamente pelos Estados Unidos e faz viagens regulares à França.

 

 

 
     

 

 

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